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A Demanda

A Demanda e o Tráfico

A Demanda, Pornografia e Prostituição

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Perguntas Freqüentes

Dar um Fim À Demanda:
O Modelo Holanda e Suécia

 

 

 

 

 

Quem são os compradores?

De acordo com a pesquisadora Donna Hughes, muitas das suposições que fazemos sobre os compradores de sexo são mitos:

  • esses homens raramente são solitários

  • esses homens raramente são insatisfeitos em seus relacionamentos

  • esses homens têm mais possibilidades de possuir parceiros sexuais do que aqueles que não compram sexo

O que eles querem?

  • atos sexuais que suas esposas não fariam

  • a excitação de obter uma mulher que eles podem comprar por um curto período

  •  sexo sem as responsabilidades de um relacionamento

  • sexo em um contexto onde eles não precisam ser polidos ou gentis; onde eles podem humilhar, degradar e dominar a mulher e a criança

Por que a demanda existe?

Razões socioculturais: os homens através do mundo são socializados em um modelo de masculinidade:

O homem acredita que é naturalmente competitivo e agressivo, e ser um ‘homem de verdade’ significa lutar pelo controle, conquista e dominação. Um homem olha o mundo, vê o que ele quer, e toma para si.

Quantos homens compram atos sexuais?

 Esse, segundo Robert Jensen, é o modelo de masculinidade ao qual todo homem é exposto. Isto não quer dizer que ele o aceita explicitamente ou sem questionamento.(Robert Jensen, GETTING OFF: -Pornography and the End of Masculinity, South End Press, 2007, p. 26)

Outras razões socioculturais:

  • referência do sistema pelo homem em detrimento da mulher, que é manifestada pelas atitudes de desigualdades sexuais que existem quase que universalmente em todo o mundo;

  • prevalência da pornografia que resulta no crescimento da demanda por sexo;

  • comportamento consumista que comercializa e se apropria dos corpos das mulheres;

  • melhor aceitação do turismo sexual, quando realizado em outra nação com mulheres e crianças estrangeiras.

Razões econômicas:

  • desejo dos empregadores por mão-de-obra nãoqualificada e barata;

  • confinamento da mão-de-obra feminina na esfera doméstica, lazer e setor informal;

  • políticas de desenvolvimento e projetos que dependem de trabalhadores migrantes temporários.

Razões políticas:

  • bases militares com suas enormes infra-estruturas de prostituição;

  • relações políticas e econômicas desiguais e exploradoras;

  • políticas restritivas de migração;

  • vendas de armas e aumento de conflitos armados;

  • mecanismos fracos de imposição da lei;

  • sistemas judiciais ineficientes e corruptos.

Magistério social da Igreja
O comércio de pessoas constitui uma chocante ofensa contra a dignidade das mesmas e uma grave violação dos direitos humanos fundamentais.

O Segundo Concílio do Vaticano salientou que “a escravidão, a prostituição, a venda de mulheres e crianças e as condições de trabalho degradantes onde as pessoas são tratadas como instrumentos de ganho em vez de pessoas livres e responsáveis”, são como “infâmias” que “envenenam a sociedade humana, rebaixam seus perpetradores” e constituem “uma suprema desonra ao Criador” (Gaudium e Spes, 27).

Tais situações são uma afronta aos valores fundamentais compartilhados por todas as culturas e povos, valores enraizados na natureza íntima da pessoa humana. É necessário prestar atenção às causas profundas do crescimento da “demanda” que alimentam o mercado da escravidão humana e tolera o custo humano que disso resulta.

O Papa Bento XVI na ocasião do 92º Dia Mundial do Migrante escreveu: Tornou-se fácil para o traficante oferecer seus próprios ‘serviços’ às vítimas que que não têm a mínima idéia do que lhes espera. Muitas vezes, as mulheres e meninas são exploradas como escravas em seu trabalho, e, não sem freqüência, na indústria do sexo também. O desafio para a Igreja Católica e qualquer outra instituição será de como colocar em ação seus ensinamentos contra o tráfico humano. As igrejas têm um papel especial a desempenhar, tanto com respeito à vítima quanto para os homens que procuram sexo.

A educação nas igrejas deve:

  • alertar as vítimas potenciais;

  • ajudar as pessoas a compreenderem que aquele que procura os atos de prostituição é quem cria a demanda para a escravidão sexual;

  • ensinar que a demanda viola os direitos humanos e é um crime contra a humanidade.